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segunda-feira, 3 de abril de 2017
A poética de Manoel de Barros e os desperdícios de infância
"Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande." Manuel de Barros.
Embriagados pela obra de Manoel de Barros e pelas singelezas das (des)escritas de quem se pretende apanhador de desperdícios, nós também, como arautos de coisas puras e simples, procuramos escarafunchar os espaços de sociabilidade por onde passam as nossas crianças. Também nós já fomos crianças e, ao lermos os fragmentos poéticos desse homem que diz ter uma dor de árvore em seu morrer, recebemos essas mensagens como sacudidelas das mãos do poeta, com gosto de infância e cheiro de terreiro de quem traz encrustadas na alma as lembranças do menino pantaneiro. Com sabor de saudade, os versos desse menino crescido nos tocam e, ao saboreá-los, indagamos sobre como acontece e em quais espaços de convivência está circunscrita a criança dos tempos atuais. A espasmódica resposta, como velha conhecida nossa, nos incomoda. A lúgubre resposta sabida surge como algo que não deveria ser, como um soco “na boca do estômago”: a criança de hoje se encontra em entre lugares. Em toda parte e em lugar nenhum. Muitas, perdidas e à cata de achadouros.
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Sandro Santos
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