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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Deficiência: desafio, luta e oportunidade


Esta caricatura foi feita em 2010 pela galera da Assessoria de Imprensa lá da PUC Minas. Na ocasião, eu achei engraçado que o Paulo Cruz, o ilustrador, tivesse captado até mesmo as peculiaridades dos meus olhos, o que, confesso, na época me causava certo incômodo, tal a tortura que representavam para mim coisas como selfies e fotos 3x4. Mas é assim que eu geralmente saio nas fotos ao tentar olhar diretamente a câmera e sair bonito no retrato, no que, geralmente, não obtenho bons resultados... Esse probleminha é decorrente do estrabismo, além do qual eu tenho também o nistagmo (aquele constante movimento do globo ocular). E tudo isso é decorrente de uma hipermetropia com motivações genéticas etc. e tal. Mas, a bem do nosso precioso tempo, podemos resumir tudo isso a uma grande o-por-tu-ni-da-de.

Sim! Porque oportunidade é o que se há para ver quando não se vê o drama, e a gente pode fazer essa escolha. É óbvio que a questão estética dos meus olhos e, sobretudo, a minha visão subnormal já me impuseram dificuldades. Mas devo reconhecer que, de modo geral, elas me trouxeram mais oportunidades do que problemas. Trouxeram-me, por exemplo, a grata oportunidade de conhecer gente fantástica e genuinamente preocupada com o que comumente se chama de inclusão. Do jardim de infância à universidade, tive professores dedicados a tornar acessíveis os conteúdos. Se não fosse pela deficiência, eu não haveria conhecido já na infância o nosso tão querido Instituto São Rafael (Metropolitana A) e seus dedicados pedagogos que, semanalmente, iam até minha escola. Em todas as empresas pelas quais passei (um total de seis) encontrei gente empenhada em tornar acessíveis o ambiente e os recursos laborais, havendo tido eu mesmo a oportunidade de trabalhar com a inclusão ao longo de oito anos.

Ora, quantas dessas pessoas eu não haveria sequer conhecido, quantas coisas eu não teria lido se não fosse pela minha deficiência. É provável que eu próprio não me importasse com esse tema se eu não pertencesse a esse grupo. Mas eu pertenço, e é justamente essa condição que me dá a OPORTUNIDADE de também trabalhar em prol da inclusão, de ter uma mentalidade includente e procurar despertar a mesma nos que me cercam.

Ter deficiência é difícil, eu não nego. Mas não é drama. É oportunidade, e, em lugar de ser vítima, tantas coisas mais a gente pode escolher, como ser exemplo de superação, ser instrumento de sensibilização para a causa, ser sujeito de pesquisa, ou, simplesmente, ser alguém que segue a vida como todo mundo, sem os olhos baixos e a lamúria típica de quem é injustiçado. Eu tenho visto por aqui gente cuja deficiência está servindo como estímulo para o ingresso no contexto político; gente cuja própria deficiência está motivando a expressão poética, a atuação na área da saúde, o trabalho na docência e até a luta por uma medalha! Se isso não é a deficiência nos dando uma oportunidade, então eu não sei o que é.

Eu sou muito grato à vida pela oportunidade que a baixa visão me dá, e sigo sempre certo de que nós, cidadãos com deficiência, somos perfeitos em nossa condição, pois não somos nós que estamos inadequados ao mundo, mas o mundo é que está inadequado a nós, e isso pode (e deve) mudar. Portanto, siga a minha sugestão e, ao ver um sujeito com deficiência, não se concentre nele, mas, sim, na calçada acidentada, na ausência de piso tátil, nos declives acentuados, na ausência de intérprete de língua de sinais, no excesso de degraus etc., pois é aí que está a inadequação.

Todo ser humano está no mundo porque merece e precisa estar no mundo. Portanto, respeite isso e adeque o mundo. Possibilite ao outro cumprir com a sua missão. Você não precisa ter uma deficiência e tampouco ser bonzinho para, então, lutar pela qualidade de vida do outro. Trata-se de uma questão de CIDADANIA. E, se lutar pela cidadania do próximo já é compromisso de todos, tal compromisso é redobrado para nós, trabalhadores da educação, que, dia após dia, seguimos obstinados na luta pela dignidade humana, preceito que constitui o princípio máximo do estado democrático de direito. É a minha mensagem para o Dia da Luta Nacional das Pessoas com Deficiências.

Alex Gabriel da Silva
Analista Educacional da SRE Metropolitana B
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Caricatura produzida por Paulo Cruz, designer e ilustrador, e publicada no informativo No Ponto, da PUC Minas, em virtude da premiação do autor no I Concurso de redação do Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar de Minas Gerais (SAAEMG), quando funcionário da rede privada, com o texto “A educação pelo viés capitalista: mero produto mercadológico ou direito do cidadão?”.

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